Produçăo e Consumo do lugar: espaços de desindustrializaçăo na reproduçăo da metrópole
Item
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Título
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Produçăo e Consumo do lugar: espaços de desindustrializaçăo na reproduçăo da metrópole
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lista de autores
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Rafael Faleiros de Padua
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Resumo
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Presenciamos hoje em Săo Paulo uma expansăo acelerada do setor imobiliário (incorporadoras construtoras imobiliárias) para regiőes tradicionalmente industriais da metrópole que sofrem a partir da década de 1990 profundas reestruturaçőes em suas atividades com o retraimento da atividade industrial. Esse movimento se deve ŕ progressiva raridade do espaço nas regiőes mais valorizadas da cidade para a incorporaçăo imobiliária contexto no qual os espaços de desindustrializaçăo aparecem como lugares propícios para este avanço pois contam com grande disponibilidade de terrenos e localizaçăo relativamente privilegiada em relaçăo a regiőes mais valorizadas e eixos viários importantes. O nosso estudo busca apreender o movimento de transformaçăo de lugares cuja urbanizaçăo foi profundamente marcada pela grande industrializaçăo ocorrida a partir da década de 1950 em lugares que atualmente săo forjados pelos agentes hegemônicos da produçăo do espaço (Estado e empreendedores imobiliários privados) como localizaçőes privilegiadas na metrópole..Estudamos a expansăo do setor imobiliário sobre a Vila Leopoldina e Santo Amaro que se tornam no momento atual objeto das estratégias dos agentes hegemônicos da produçăo do espaço no sentido da formaçăo de novas fronteiras econômicas na cidade de Săo Paulo. O discurso hegemônico busca sedimentar a idéia de que a construçăo de novos empreendimentos residenciais nesses lugares se trata de uma “revitalizaçăo” dos lugares como se se tratasse de um espaço vazio como se os lugares năo contassem com moradores e uma vida social ligada ao cotidiano desses moradores. Desenvolvemos a hipótese de que nesse processo há um aprofundamento da fragmentaçăo e da segregaçăo na vida urbana já que se constituem nos lugares novas desigualdades e descompassos entre o novo e o que permanece..Nosso ponto de partida é a prática sócio-espacial tentando visualizar como o processo de transformaçăo se realiza na vida dos moradores numa intrincada relaçăo das mudanças na paisagem com as mudanças nas relaçőes sociais no lugar. Nesse processo verificamos que há a destituiçăo dos espaços habituais de sociabilidade dos moradores com a imposiçăo de um novo ritmo aos lugares com a chegada dos grandes condomínios-clube voltados para classes com maior poder de consumo. Trata-se da imposiçăo de uma sociabilidade baseada no alto-consumo a vida circunscrita a espaços fechados (casa trabalho shopping clube etc.) cujo acesso se faz com o deslocamento de carro pela cidade. .Nesse movimento a segregaçăo se realiza năo somente quando a populaçăo tradicional do lugar é expulsa do lugar (seja compulsória e arbitrariamente seja pela valorizaçăo do espaço) mas se realiza também quando os próprios moradores antigos dos lugares passam a viver os lugares como exterioridade quando năo podem mais usufruir dos seus espaços tradicionais do cotidiano. Grande parte da vizinhança năo permanece no lugar novos comércios voltados para outro padrăo de consumo se instalam nas pequenas casas há o aumento do fluxo de carros a imposiçăo de outro ritmo aos lugares. É a perda de laços e referęncias concretas dos moradores numa transformaçăo radical e rápida dos lugares na sua paisagem e em seus conteúdos. Os lugares văo perdendo uma unidade residual que pudessem ainda conter para serem integrados aos mecanismos mais gerais da reproduçăo da metrópole..Do ponto de vista da realizaçăo do setor imobiliário é produzido um novo lugar com discursos ideológicos potentes (sustentabilidade qualidade de vida segurança) que mascaram os conteúdos do processo social e naturalizam a segregaçăo produzida. Esses aparatos ideológicos difundem e justificam uma determinada prática sócio-espacial que se impőe como norma se realizando para uns como consumo do espaço e para outros como privaçăo do espaço. .Para os pobres e as comunidades carentes dos lugares o processo é vivido como a mais radical segregaçăo numa ameaça contínua e violenta da expulsăo do seu lugar. Essas populaçőes săo expulsas ou sofrem violentas pressőes para a sua saída dos lugares mas há resistęncias que trazem para a nossa análise elementos concretos da cidade como o lugar da reproduçăo da vida mostrando que a luta pela permanęncia no lugar pode apontar para outras lutas que transcendem a luta pela moradia apontam para a luta por uma outra cidade possível.
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Abstract
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Palavras Chave
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CIDADE
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INDUSTRIALIZAÇĂO
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URBANIZAÇĂO
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VIDA COTIDIANA
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SEGREG
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Key Words
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Tipo
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DOUTORADO
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Universidade
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UNIVERSIDADE DE SĂO PAULO
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Data
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2012
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Páginas
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236
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Localização
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CAPH FFLCH USP
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Orientador
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ANA FANI ALESSANDRI CARLOS
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Programa
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GEOGRAFIA (GEOGRAFIA HUMANA)
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Sigla Universidade
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USP
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Área de Concentração
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Língua
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Português
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email
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