Espaço oculto e reconhecimento ausente em "Caché" de Michael Haneke
Resumo
Com base no filme “Caché”, de Michael Haneke, desenvolvemos aqui a
idéia de “espaço oculto”: o espaço parte das relações cotidianas
em cada lugar, em cada tempo e de cada pessoa, grupo, comunidade,
sociedade, mundo, mas que deve ser “escondido” como condição de
instauração de relações de hegemonia e subalternidade – um espaço
cotidiano de poder. Como “síntese” das relações temporais e das
relações espaciais, o cotidiano é sempre “soma/subtração” de relações na
medida em que simultaneamente mostra e escondesituações e condições
sociais, ao mesmo tempo em que é sempre “síntese inconclusa” porque se
fazendo-desfazendo-refazendo continuamente. Como parte dos
processos de identificação e de diferenciação, o “espaço
oculto” também “se manifesta” como espaço de não-reconhecimento do
Outro, tornando invisíveis ou escondidos os seus espaços (e os próprios
sujeitos) como condição de dominação sobre pessoas, grupos, etnias e
classes sociais. Em Caché, o espaço oculto é condição para a
existência de Georges, intelectual e literato – metáfora da
Modernidade –, que para se fazer precisa ocultar sua inumanidade.
Palavras-chave
Espaço oculto; cotidiano; Caché
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