Reconfiguração socioambiental na região do baixo Jaguaribe- Ceará / ENVIRONMENTAL UPGRADE IN THE REGION OF LOW JAGUARIBE - CEAR
Resumo
O presente trabalho tem como objetivo mostrar o desenvolvimento
da criação de camarão em cativeiro (carcinicultura) na região do Baixo
Jaguaribe-Ce, bem como os principais impactos socioambientais advindos
do crescimento dessa atividade econômica. A região Nordeste é
responsável por 92% dessa produção, sendo os principais estados
produtores, pela ordem: Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia, Pernambuco,
Paraíba e Piauí. Um dos grandes destaques do setor é o Ceará, que possui
uma área cultivada de aproximadamente 6.000ha, respondendo por 30% da
produção nacional. Ocupa atualmente a segunda posição entre os maiores
produtores do país, sendo que a região do Baixo Jaguaribe se consolidou
como o ponto nodal dessa atividade. Apesar dos inquestionáveis
dividendos para a balança comercial do Estado, o cultivo do camarão em
cativeiro trouxe, no seu bojo, mudanças nessa porção territorial do
Ceará, promovendo significativas alterações nas relações sociais de
produção e, conseqüentemente, uma nova (re)configuração socioespacial. A
falta de uma política pública rígida de reoordenamento espacial das
áreas que estão sendo ocupadas pela carcinicultura vem ocasionando
incomensuráveis impactos socioambientais, mudanças abruptas nas relações
de trabalho, proletarização dos pequenos agricultores de subsistência,
expulsão de catadores de caranguejo e marisqueiras e uma crescente
concentração fundiária. Não resta dúvida de que observamos que a região
do Baixo Jaguaribe vem sendo alvo de um intenso processo de
territorialização do capital no espaço agrário, onde o território
compreendido como valor de uso está sendo apropriado, usado e
corporatificado pelas empresas e instituições para a realização de uma
atividade econômica que tem sua marca mais proeminente o esgarçamento do
tecido social.
Palavras-chave
Território, Carcinicultura, impactos socioambientais, concentração fundiária
Enviar artigo via e-mail