A CONDOMINIZAÇÃO DO TERRITÓRIO: MUROS E GRADES EM CHÃO TRÊS-LAGOENSE

Thiago Rocco dos Santos, Julio Cezar Ribeiro

Resumo


Sob um modo de produção desigual, a produção do espaço é um fenômeno classista propositalmente excludente. Os regentes urbanos, aliados aos planejadores estatais, criam marcas na paisagem que revelam a divisão da cidade em pedaços heterogêneos, munidos de mais ou menos equipamentos e serviços segundo a clientela socioeconômica a que se destinam. A industrialização acelerada que recai em alguns municípios brasileiros – basicamente o de Três Lagoas/MS – intensifica o apinhamento populacional, a migração, a extensão da malha urbana e o adensamento seletivo de serviços e objetos, de maneira tão apressada que o chão municipal aparenta epidermicamente estar destroçado, quando, na verdade, representa fielmente a processos desigualmente combinados, comprometidos com o geopoder classista. O pulsar do grande capital industrial atrai gentes e interesses, fazendo proliferar, como consequência da essência metabólica do sistema, a repulsa pelos interesses da maioria, expulsos tanto do centro citadino como do centro da atenção pública. Os abastados, por outro lado, além de terras e isenções às atividades econômicas industriais, recebem estímulos e autorização para habitar redutos urbanos privados, que reforçam, como um ciclo vicioso, a supremacia do privado sobre o público, ratificando a vitória do economicismo sobre o social.

Palavras-chave


poder. diversificação. segregação. exclusão.

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DOI: http://dx.doi.org/10.4025/bolgeogr.v31i3.20214



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