O VIVER E O HABITAR: os ciclos da natureza e os usos dos territórios fluviais no rio São Francisco – Pirapora/MG
Resumo
A intenção deste artigo é discutir algumas abordagens sobre o
espaço geográfico do município de Pirapora/MG, local onde desenvolvemos
nossa pesquisa. Buscamos primeiramente analisar o cenário agrário do
município e posteriormente a forma de ocupação territorial das ilhas
existentes no rio São Francisco. Em função das mudanças
socioterritoriais ocorridas no campo, principalmente pela adoção de
modernas técnicas agrícolas, os camponeses deste município se viram
sujeitos a adoção de novas práticas cotidianas. Passaram a buscar novos
espaços de produção, encontrando no território das ilhas, um pequeno
pedaço de terra rodeado pelas águas, um lugar de refúgio para viver.
Espaço este bastante limitado e adverso, com características bem
diferenciadas das que estavam acostumados a viver nas grandes fazendas.
Abordamos a articulação entre as categorias de análise procurando
compreender, através da organização sócio-territorial, como o espaço das
ilhas pode ser definido de acordo suas funcionalidades e
representatividades. A ilha fluvial estudada tem seu território definido
em função dos ciclos da natureza, possuem limites inconstantes, é
ocupada e utilizada somente quando as estações climáticas são
favoráveis. Traremos o conceito de território analisado segundo as
relações sociais existentes, envolvendo o poder simbólico e cultural. As
pessoas que habitam os espaços da ilha vivem de acordo com a mutação
deste seu território, estão a cada dia, sujeitos a perdas e reconquistas
em função do movimento das águas.
Palavras-chave
Território, ilhas, rio São Francisco, identidades, Pirapora
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