A REPRODUÇÃO CAMPONESA NA CONTRAMÃO DA FORMALIDADE DO CAPITAL / THE PEASANT REPRODUCTION IN THE CONTER ORDER OF THE FORMALITY OF THE CAPITAL
Resumo
Este artigo consiste numa reflexão teórica a respeito da
reprodução camponesa na sociedade capitalista de produção. Para tal
exercício recorremos a teoria produzida pelos estudiosos que se
propuseram e se propõem estudar o campo brasileiro, como Oliveira (1995,
1996), Martins (1995), Abramovay (1994, 1998), Veiga (1991, 1994),
Graziano da Silva (1996), Graziano Neto (1994), dentre outros.
Contrapomos a teoria à realidade concreta que boa parcela da população
camponesa tem forjado para se perpetuar no campo brasileiro, a exemplo
das feiras de agricultores; criação e recriação de indústrias domésticas
e venda in-natura (informalidade) dos produtos do campo na cidade.
Apresentamos um conjunto de informações baseadas na situação concreta da
reprodução camponesa no Brasil, que tem nos sinalizado que a recriação
camponesa tem sido garantida em muitos casos por meio de mecanismos não
formais de mercado, que são em nosso entendimento, formas de resistência
à formalidade do capital personificada no capital financeiro, comercial
e industrial. A comercialização informal de leite no Brasil cresceu
129% na década de 1990 (SEAB, 2000), o que evidência a resistência
camponesa à formalidade do capital.